Fraude bilionária liberou consignados INSS em nome de crianças; nova gestão adota biometria e revisão para impedir novos golpes.
Mais de R$ 12 bilhões em empréstimos consignados do INSS foram liberados em nome de menores de idade, revela Gilberto Waller, atual presidente do Instituto.
A informação revela um escândalo de proporções inéditas e levanta sérias questões sobre controle e segurança institucional.
Confira, a seguir, os detalhes da farra do INSS, quais as medidas adotadas e como evitar golpes no benefício.
O escândalo dos consignados em nome de menores: entenda o caso
A descoberta das fraudes na contratação de empréstimos consignados começou com uma auditoria interna feita pela nova gestão do INSS, atualmente representada por Gilberto Waller.
Ao revisar os dados dos contratos de crédito consignado, foi identificado que cerca de 763 mil empréstimos estavam ativos em nome de menores de idade.
A faixa etária média é de 11 a 13 anos, com valor médio de R$ 16 mil. Entretanto, existem contratos feitos até para bebês.
Os consignados foram realizados com base em benefícios como o Benefício de Prestação Continuada e pensões por morte, que podem ser pagos a menores.
Quem são os responsáveis e como a fraude foi possível?
A principal brecha que permitiu essa farra foi a falta de verificação firme na concessão de crédito e a autorização de desconto de mensalidades associativas em benefícios previdenciários.
Instituições financeiras suspeitas não exigiam comprovação por biometria e, muitas vezes, aceitavam documentos enviados por meios digitais sem checagem de autenticidade.
Além disso, havia um excesso de bancos sem credibilidade autorizados a operar com crédito consignado do INSS.
Mais de 700 instituições estavam credenciadas, o que dificultava o controle e abria espaço para irregularidades.
Familiares ou representantes legais das crianças acabavam utilizando os dados dos menores para obter empréstimos — que eram descontados diretamente do benefício.
Em 2025, a Polícia Federal, junto à Controladoria-Geral da União (CGU), deu início à “Operação Sem Desconto” para investigar o aumento desses descontos em benefícios do INSS.
A operação resultou na demissão do até então presidente do Instituto, Alessandro Stefanutto, e do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Medidas adotadas pelo INSS após a descoberta
Diante do escândalo de descontos indevidos, Gilberto Waller anunciou uma série de mudanças para fortalecer a fiscalização e evitar novos golpes em beneficiários.
Entre as medidas implementadas estão:
- Implantação da biometria facial obrigatória para novos contratos
- Suspensão temporária da liberação de empréstimos para revisão dos casos
- Redução do número de bancos autorizados a ofertar Consignado INSS, de 74 para 59
- Revisão manual dos contratos suspeitos, priorizando casos de menores e idosos
- Fim dos descontos automáticos em benefícios
- Desbloqueio do benefício para empréstimo
Como evitar golpes e fraudes com empréstimos do INSS?
A melhor forma de evitar fraudes é a informação e optar por instituições financeiras confiáveis, autorizadas pelo INSS e com biometria facial no processo.
Os beneficiários do INSS devem também monitorar constantemente seus extratos de pagamento pelo aplicativo ou site Meu INSS.
Outra dica é não compartilhar dados pessoais e nunca permitir que terceiros façam movimentações financeiras em seu nome.




