Candidato social-democrata Álvaro Ramos reconheceu a derrota
A candidata governista de direita, Laura Fernández, venceu as eleições presidenciais da Costa Rica após obter 48,5% dos votos no pleito realizado, nesse domingo, com a promessa de manter linha dura contra a violência do narcotráfico.
Fernández, de 39 anos, ficou quase dez pontos acima do patamar necessário para evitar o segundo turno, com 88% das seções eleitorais apuradas. Seu rival mais próximo, o economista e candidato social-democrata Álvaro Ramos, registrou 33,18%.
Álvaro Ramos admitiu a derrota e declarou: – Que Deus lhe dê sabedoria. Nós a apoiaremos quando suas decisões forem para o bem do país – disse, em um breve discurso diante de seus apoiadores.
– Como nova presidente da República, jamais permitirei o autoritarismo e a arbitrariedade que ninguém quer na Costa Rica – declarou ela, sob aplausos de seus apoiadores, em um hotel na capital.
A cientista política criticou seus rivais por “se apoiarem na retórica do autoritarismo e da ditadura” durante a campanha eleitoral. – Eles tentaram incutir medo, mas os eleitores não caíram nessa – afirmou.
Sem dar mais detalhes, Fernández assegurou que, no entanto, as “regras do jogo político” mudarão na Costa Rica, uma das democracias mais estáveis da América Latina.
– O mandato que me foi conferido pelo povo soberano é claro: a mudança será profunda e irreversível – declarou a presidente eleita, que tomará posse em 8 de maio.
Anti-gangues
Fernández propõe copiar as estratégias anti-gangues de Nayib Bukele e reformar os poderes do Estado, o que seus oponentes denunciam como um plano para consolidar o poder absoluto, à semelhança do presidente salvadorenho.
Bukele já parabenizou Fernández por telefone, chamando-a de “presidente eleita”.
Se sua eleição for confirmada, ela será a segunda mulher a governar a Costa Rica, um dos países mais estáveis da região, após o mandato de quatro anos de Laura Chinchilla, que também venceu no primeiro turno em 2010.
Isso também fortaleceria a direita na América Latina, após as recentes vitórias no Chile, Bolívia e Honduras.
A Costa Rica, considerada um dos países mais estáveis do continente, também elegeu 57 membros do Congresso, nesse domingo.
Após a divulgação dos primeiros resultados, milhares de apoiadores de Fernández se reuniram em locais emblemáticos para comemorar sua confortável vantagem.
O Fator Bukele
Herdeira política do popular presidente Rodrigo Chaves, a ex-ministra também aspira conquistar 40 das 57 cadeiras do Congresso, para reformar a Constituição e os poderes do Estado.
Ao contrário de Honduras, os Estados Unidos, cujo governo é aliado de Chaves, não expressaram preferência por nenhum candidato, mas declararam seu “respeito pelo processo democrático da Costa Rica”.
Apesar de a taxa de homicídios ter atingido um recorde de 17 por 100 mil habitantes durante seu governo, Chaves culpa o Judiciário, alegando que fomenta a impunidade para criminosos.
Sete em cada dez homicídios estão ligados ao narcotráfico, que, segundo as autoridades, transformou este país — considerado por décadas um dos mais seguros das Américas — em um centro logístico e de exportação de drogas.
Fernández propõe concluir a construção de uma prisão nos moldes da megaprisão de Bukele para membros de gangues, aumentar as penas e implementar estados de emergência em áreas marginalizadas e assoladas por conflitos.
Medo do autoritarismo
A oposição alega que o partido governista quer imitar Bukele, que detém poder absoluto e instituiu a reeleição por tempo indeterminado, e que, se ela vencer, Chaves governará o país de 5,2 milhões de habitantes nos bastidores.
Fernández é rotulada de “populista” e “má imitação” de Chaves por adotar sua retórica de confronto, e alguns dizem que ela busca alterar a Constituição para que seu mentor possa retornar ao poder em quatro anos. Atualmente, ele só pode se candidatar após intervalo de dois mandatos.
– Sempre zelarei pela estabilidade democrática – garantiu a candidata em sua seção eleitoral.
Ao votar, o ex-presidente Óscar Arias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1987, afirmou que “a sobrevivência da democracia está em jogo”: – A primeira coisa que os ditadores querem é reformar a Constituição para se manterem no poder.
A oposição, que também busca formar um bloco legislativo para equilibrar o poder, distribuiu suas propostas entre 19 candidatos.
Embora a pobreza tenha caído de 18% em 2024 para 15,2% em 2025, a Costa Rica está entre os seis países mais desiguais da América Latina no índice de Gini e é o segundo com custo de vida mais alto, depois do Uruguai.




