Milão, na Itália, é referência em tratamento térmico de resíduos

COLUNA MEIO AMBIENTE
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De problema ambiental a fonte de energia: o modelo de Milão que revoluciona o tratamento de resíduos e inspira o mundo

Artigo por Rodrigo Afonso – Gestor Ambiental

A cidade de Milão consolidou-se como uma das principais referências mundiais em gestão integrada de resíduos sólidos, especialmente no uso de tecnologias de tratamento térmico com recuperação energética. Em um cenário global onde os aterros sanitários tornam-se cada vez mais inviáveis, o modelo milanês demonstra que é possível transformar lixo em energia com eficiência, controle ambiental e planejamento urbano.

Um modelo baseado em eficiência e tecnologia

O sistema adotado em Milão combina coleta seletiva avançada, reciclagem, compostagem e tratamento térmico dos resíduos não recicláveis. Diferente de muitos países em desenvolvimento, a cidade praticamente eliminou o envio de resíduos para aterros sanitários, priorizando soluções tecnológicas sustentáveis.

Nesse contexto, destaca-se o conceito de Waste-to-Energy (WTE) — ou recuperação energética — que consiste na queima controlada de resíduos sólidos urbanos para geração de eletricidade e calor. Esse processo permite reduzir significativamente o volume de resíduos, ao mesmo tempo em que gera energia limpa e estável.

A usina Silla 2: símbolo da inovação

Um dos maiores exemplos desse modelo é a usina Silla 2, considerada uma das mais modernas da Europa.

Projetada para tratar resíduos urbanos não recicláveis, a planta:

  • Gera energia elétrica para aproximadamente 147 mil famílias
  • Fornece aquecimento urbano para cerca de 30 mil residências
  • Evita a emissão de centenas de milhares de toneladas de CO₂ por ano
  • Substitui o uso de combustíveis fósseis no aquecimento urbano

Além disso, a usina utiliza sistemas avançados de controle de emissões, incluindo filtros, processos químicos e catalisadores que garantem níveis de poluentes abaixo dos limites exigidos pela legislação europeia.

Sustentabilidade na prática

O grande diferencial de Milão não está apenas na tecnologia, mas na gestão integrada e no planejamento estratégico. A cidade enfrentou uma grave crise de resíduos na década de 1990, o que impulsionou investimentos em infraestrutura e inovação.

Hoje, o modelo milanês se baseia em três pilares:

  1. Redução de aterros – praticamente eliminados
  2. Valorização energética – aproveitamento máximo dos resíduos
  3. Transparência e controle ambiental – monitoramento contínuo das emissões

Esse sistema permite que mais de metade dos resíduos urbanos seja convertida em energia, enquanto o restante é reciclado ou tratado por outras tecnologias.

Lições para o Brasil

O caso de Milão mostra que o tratamento térmico não é apenas uma alternativa, mas uma necessidade estratégica para grandes centros urbanos. No Brasil, onde ainda predominam os aterros sanitários e lixões, a adoção de tecnologias como as Unidades de Recuperação Energética (UREs) pode representar um salto significativo na gestão de resíduos.

Além de reduzir impactos ambientais, essas tecnologias:

  • Geram energia limpa
  • Diminuem a dependência de aterros
  • Criam oportunidades econômicas
  • Contribuem para metas climáticas

Este artigo traz uma visão prática e real: o gestor ambiental Rodrigo Afonso esteve em Milão e conheceu de perto todo o processo tecnológico, desde a coleta até a geração de energia nas usinas.

Enquanto muitos países ainda dependem de aterros sanitários, Milão praticamente eliminou essa prática.

Conclusão

Milão se tornou referência mundial ao transformar um problema ambiental em solução energética. Seu modelo comprova que, com investimento, regulação e planejamento, o tratamento térmico de resíduos pode ser seguro, eficiente e sustentável.

Para o Brasil, o desafio não é tecnológico, mas político e estrutural. O caminho já está traçado — basta adaptá-lo à realidade nacional.


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