Pesquisa: 73% querem facções tratadas como terroristas

POLÍCIA
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A operação policial recebeu aprovação de 67% dos entrevistados, contra 25% que a desaprovam

A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes e foi classificada como a mais letal da história do estado, reacendeu o debate sobre segurança pública e impactou diretamente a avaliação do governo Lula (PT). Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (12), a maioria dos brasileiros apoia ações mais rígidas contra o crime organizado e defende penas mais severas.

O levantamento, realizado presencialmente com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre 6 e 9 de novembro, revela que 88% dos entrevistados acreditam que as penas deveriam ser mais altas, enquanto 73% apoiam que organizações criminosas sejam classificadas como terroristas — tema que divide a base governista e a oposição. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

Apoio à operação

A operação policial recebeu aprovação de 67% dos entrevistados, contra 25% que a desaprovam, segundo a Quaest. O apoio às forças de segurança, porém, coincidiu com uma queda na avaliação do governo federal: a parcela que considera a gestão positiva recuou de 33% para 31%, enquanto a avaliação negativa subiu de 37% para 38%.

No balanço geral, a aprovação do governo Lula caiu de 48% para 47%, e a reprovação passou de 49% para 50%.

A pesquisa mostra que 65% dos brasileiros são favoráveis à revogação do direito de visita íntima para presos ligados a facções, e 60% apoiam a PEC da Segurança Pública, proposta que amplia a participação do governo federal na formulação de políticas do setor — embora enfrente resistência de governadores. Já 52% defendem que a responsabilidade pela segurança passe ao governo federal.

A população está dividida sobre a criação de leis estaduais próprias de segurança pública — 46% são favoráveis e 48% contrários. Quanto ao acesso a armas de fogo, o resultado é majoritariamente contrário: 70% rejeitam a flexibilização e apenas 26% apoiam.

Declarações de Lula

As declarações de Lula sobre o tema têm sido recebidas de forma negativa. Durante viagem à Malásia, quando se encontrou com Donald Trump, Lula afirmou que “os traficantes também são vítimas dos usuários”. A frase foi rejeitada por 81% dos entrevistados; 14% disseram concordar e 5% não opinaram.

Em 4 de novembro, o presidente voltou a comentar o tema e classificou como “desastrosa” a operação policial no Rio de Janeiro. A nova fala também teve má repercussão: 57% dos brasileiros discordam da afirmação, enquanto 38% concordam e 5% não souberam responder.

A pesquisa indica ainda que a violência voltou ao centro das preocupações nacionais. O tema foi citado por 38% dos entrevistados como o principal problema do país, um aumento de oito pontos em relação a outubro, quando o índice era de 30%.

O resultado confirma que a segurança pública se tornou um dos assuntos mais sensíveis para o governo federal, num momento em que cresce a demanda popular por respostas mais firmes ao crime organizado e por mudanças estruturais nas políticas de segurança.


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