Tecnologia muda de lugar nas escolas de MS e ganha espaço no aprendizado

POLÍTICA
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Após a restrição ao uso do celular em sala, Rede Estadual investe mais de R$ 100 milhões em lousas interativas, laboratórios, plataformas digitais e robótica para integrar inovação ao ensino

Após restringir o uso do celular em sala, Mato Grosso do Sul ampliou a presença da tecnologia nas escolas estaduais com mais de R$ 100 milhões em investimentos. Lousas interativas, plataformas digitais, laboratórios e kits de robótica passaram a integrar as aulas. Estudantes como Emily, em Campo Grande, Sidney, em Dourados, e Pietro, em Aquidauana, mostram como os novos recursos aproximam conteúdos escolares de experiências práticas e digitais.

Na sala de aula da Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, o celular de Emily de Oliveira permanece guardado na mochila. Diante dela, porém, a tecnologia está longe de ter desaparecido. Em uma lousa interativa de 75 polegadas, a professora pode abrir um mapa, exibir um vídeo, apresentar gráficos e combinar diferentes recursos para explicar o conteúdo.

Aluna do 3º ano do Ensino Médio, Emily percebeu rapidamente a diferença. “Vim de uma escola particular que ainda usava Datashow. Agora, as aulas estão mais interessantes”, afirma.

A experiência da estudante ajuda a mostrar a mudança promovida na Rede Estadual de Ensino depois da regulamentação do uso do celular nas escolas estaduais, no início de 2025. Em vez de retirar a tecnologia do ambiente escolar, a estratégia adotada pela gestão de Eduardo Riedel (Progressistas) reorganizou sua presença: o aparelho individual perdeu protagonismo durante as aulas, enquanto equipamentos coletivos, plataformas educacionais e laboratórios passaram a ocupar mais espaço.

No primeiro ano da nova regra, mais de R$ 100 milhões foram destinados à modernização da infraestrutura tecnológica, com aquisição de equipamentos, ampliação de laboratórios, renovação do parque tecnológico e implantação de plataformas digitais voltadas ao ensino e à aprendizagem.

“O resultado já aparece no cotidiano de professores e estudantes”, afirma Riedel.

Do celular à tecnologia da escola

Pelas novas regras, o celular permanece guardado e desligado durante as aulas, salvo em situações excepcionais. O aparelho ainda pode ser utilizado de forma orientada em atividades específicas, apoiar pesquisas e complementar o aprendizado fora da escola.

A mudança está justamente no lugar ocupado pela tecnologia. Em vez de depender principalmente do equipamento particular de cada estudante, a proposta é ampliar ferramentas oferecidas pela própria Rede Estadual.

É nesse ambiente que entram as lousas interativas, os laboratórios de informática, as plataformas educacionais e os kits de robótica. Os recursos permitem trabalhar com textos, imagens, mapas, vídeos, gráficos, exercícios interativos e atividades práticas dentro de uma estrutura permanente.

“Um dos pilares desse novo ambiente é a plataforma de protagonismo digital, disponível gratuitamente para os estudantes da Rede Estadual de Ensino”, destaca Riedel.

A plataforma reúne recursos de aprendizagem alinhados ao currículo e materiais que podem ser utilizados pelos professores durante as aulas.

Para a professora de inglês Luzimar Cristiane, a ferramenta também ajuda a enfrentar as diferenças de acesso entre os estudantes.

“É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. Para o estudante, é a garantia de que o acesso à educação digital não depende dos celulares, depende da escola”, afirma.

Quando a programação faz o robô andar

A mudança também pode ser percebida longe das lousas digitais. Em Dourados, na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, Sidney Matheus Ferraz Sanchez, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, teve a oportunidade de montar seu primeiro robô.

O trabalho reuniu peças de encaixe, motores, sensores, baterias e comandos de programação. Ao concluir a montagem, Sidney viu aquilo que havia aprendido se converter em movimento.

“A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, conta.

Na atividade, conteúdos normalmente encontrados no quadro e no caderno passam também pelos circuitos, medidas, sensores, testes e pela lógica necessária para programar os movimentos.

Desde 2022, kits de robótica e ferramentas de montagem e fabricação vêm sendo incorporados às escolas estaduais como parte das ações de educação digital. Organizados em maletas com peças, motores, sensores, baterias e computadores programáveis, os equipamentos permitem desenvolver projetos acompanhados por professores especializados em práticas inovadoras.

A proposta é trabalhar raciocínio lógico, criatividade, colaboração e resolução de problemas, além de aproximar os estudantes de áreas como tecnologia, engenharia, programação e inovação.

Da primeira oficina à Olimpíada de Robótica

Em Aquidauana, a tecnologia abriu uma experiência diferente para alunos da Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro. Até o ano passado, eles não tinham contato direto com atividades de robótica.

As oficinas chegaram à escola em abril. Menos de dois meses depois, estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental foram inscritos, pela primeira vez, na Olimpíada Brasileira de Robótica, a OBR 2026.

Pietro Miguel da Rocha Ferreira está entre eles. Para o estudante, o contato com a atividade mudou a percepção de que a robótica seria algo distante de sua idade.

“Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”, afirma.

As experiências de Emily, Sidney e Pietro revelam diferentes faces da mesma política. Em Campo Grande, a tecnologia aparece em uma aula mais visual e interativa. Em Dourados, assume a forma de um robô construído e programado pelos próprios estudantes. Em Aquidauana, coloca alunos dos anos iniciais diante de uma competição nacional.

O elemento comum é a tentativa de integrar os recursos tecnológicos ao processo pedagógico, em vez de permitir que sejam apenas uma presença dispersa no cotidiano escolar.

A restrição ao celular, nesse contexto, tornou-se parte de uma reorganização mais ampla. O equipamento individual permanece fora do centro da aula, enquanto a escola assume o papel de oferecer estrutura e orientação para o acesso à educação digital.

Para Emily, Sidney e Pietro, essa mudança aparece de maneiras distintas: na tela que ajuda a compreender uma aula, no conjunto de peças que ganha movimento depois da programação ou na descoberta de que a robótica também pode fazer parte da rotina de uma criança do Ensino Fundamental. A tecnologia continua dentro da escola — mas agora incorporada ao aprendizado.


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