Igreja cresce, mas desafio é formar discípulos

GOSPEL
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Crescimento exige formação, integração e responsabilidade de toda a comunidade cristã

A frequência às igrejas está aumentando, e as pessoas que retornam não são aquelas que se esperava. Nos últimos cinco anos, as gerações mais jovens quase dobraram a frequência aos cultos, passando de pouco mais de um fim de semana por mês em 2020 para quase o dobro em 2025. O compromisso com Jesus entre os homens da geração Z subiu de 52% em 2019 para 67% em 2025.

Após anos de preocupação com igrejas vazias, algo está realmente acontecendo. Isso significa que a conversa precisa mudar: trazer as pessoas de volta não é mais o desafio principal. O verdadeiro desafio está em mantê-las, formá-las, integrá-las e, de fato, fazer discípulos delas. E essa tarefa não é exclusiva do pastor.

O papel do pastor e a estrutura da igreja

Isso não é uma crítica aos pastores, que já estão sobrecarregados além do razoável. Pesquisa da Lifeway Research mostrou que apenas 11% dos pastores protestantes acreditam que sua igreja faz discipulado melhor do que qualquer outra função — esse é o aspecto menos valorizado entre as atividades da igreja. Não se trata de falha na liderança, mas de uma falha estrutural.

O modelo adotado pela maioria das igrejas americanas delega o ministério aos profissionais e a frequência ao restante dos membros, e esse modelo sempre teve um limite de alcance. Já no Novo Testamento, Tiago, irmão de Jesus, alertava sobre isso em Tiago 3: “Não muitos de vós sejais mestres, sabendo que receberemos juízo mais severo” (3:1). Ele não rejeita o papel dos mestres, mas destaca que não deveriam carregar sozinhos todo o peso da igreja.

Tiago continua dizendo que “a língua é um fogo, um mundo de iniquidade” (3:6), mostrando que até mesmo o comunicador mais talentoso trabalha com limitações humanas. A solução proposta por ele é simples e prática: “Se alguém entre vós é sábio e entendido, manifeste pelo bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria” (3:13). Não é um sermão, mas uma vida que testemunha, e esse chamado vale tanto para quem está no púlpito quanto para quem está na terceira fila.

Desafio cultural e espiritual na igreja contemporânea

D.A. Carson e John Woodbridge identificaram um problema comum em igrejas suburbanas: “Muitas vezes, os ‘profissionais’ do ministério encontram profissionais do mercado de trabalho, e nenhum dos dois grupos tem um compromisso genuíno com a ideia de que todos são sacerdotes espirituais. Os leigos aplicam padrões empresariais para avaliar o ‘sucesso’ da igreja; os pastores aceitam esses mesmos padrões para manter o apoio dos membros. Assim, a vida da igreja é avaliada como ‘muito bem-sucedida’ porque o programa funciona e a frequência é boa, mesmo que o poder espiritual falte, a oração não seja prioridade e poucas pessoas estejam encontrando Cristo como Salvador e Senhor.”

Uma igreja cheia de consumidores parece bem-sucedida externamente. A produção é organizada, o estacionamento lota, mas a formação não acontece, e as pessoas percebem isso, mesmo que inconscientemente, durante a experiência dominical.

O teólogo do século XVII, Philip Jakob Spener, já propunha a solução: o sacerdócio universal. Ele escreveu que “um homem é incapaz de fazer tudo o que é necessário para a edificação das muitas pessoas sob seu cuidado pastoral. Se os sacerdotes cumprirem seu dever, o ministro, como diretor e irmão mais velho, terá uma ajuda valiosa e não ficará sobrecarregado.” Esse conceito, do século XVII, ainda é um desafio para a igreja hoje.

Mais recentemente, Eric Geiger e Kevin Peck, em Designed to Lead, afirmaram que “quando os pastores não informam sua comunidade leiga sobre sua identidade como ‘laos’ — povo especial de Deus — eles perdem a alegria do serviço, e os membros se desenvolvem como consumidores em vez de participantes e colaboradores.” Consumidores vão à igreja esperando receber algo; colaboradores vão sabendo que fazem parte do que é oferecido. Essa diferença é o que define se uma congregação cresce de verdade ou apenas aumenta o número de pessoas.

Ativando o discipulado na comunidade

A maioria das igrejas já possui pessoas com tudo o que é necessário para o discipulado: professores, enfermeiros, vizinhos, colegas de trabalho e moradores da mesma rua. Nenhum pastor consegue alcançar essas comunidades a partir do púlpito aos domingos, mas as pessoas que frequentam a igreja já vivem nelas. A estrutura para o discipulado real existe; o que falta é ativá-la, principalmente porque ninguém disse a essas pessoas que esse é também o seu papel.

Tiago chama essa ativação de fazer a paz: “Os pacificadores, pois, serão chamados filhos de Deus” e “os pacificadores semeiam em paz para colher a justiça” (3:18). Não é algo glamoroso, nem exige título ou plataforma. É alguém que percebe quando um colega está afogado em problemas e age para ajudar; alguém que permanece presente para um amigo muito tempo depois da crise inicial. É essa vida que se espalha — não apenas o sermão, mas a transformação que o sermão deveria produzir.

A geração Z está cobrando integridade dos líderes e exigindo transparência. Cresceram vendo instituições que aparentavam saúde, mas estavam apodrecendo por dentro, e não querem mais isso. O que eles realmente desejam — e o que a maioria das pessoas deseja — é uma comunidade onde a fé esteja viva e visível, onde as pessoas estejam genuinamente investidas na formação umas das outras, e onde o domingo seja uma fonte de combustível espiritual, não o evento principal.

A colheita está crescendo. Mas os trabalhadores nunca deveriam ser apenas os que estão no palco. (Com informações de Thom Rainer – Relevantmagazine)


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