A eleição em Mato Grosso do Sul começa a apresentar um desenho cada vez mais definido. Evidentemente, pesquisa não é urna e campanha se decide até o último voto. Mas, quando se cruzam os números disponíveis, a estrutura das chapas e a força individual dos candidatos, já é possível projetar algumas tendências.
Na disputa pelo Governo, Eduardo Riedel caminha para uma vitória sem maiores sobressaltos. O governador chega à reta final com aprovação superior a 70% e enfrenta adversários que, com exceção de João Henrique Catan, tiveram pouca presença no campo da oposição nos últimos anos.
Catan apostava em herdar parcela importante dos votos dados ao Capitão Contar em 2022, mas essa transferência não ocorreu na dimensão imaginada. Mesmo somados, os adversários de Riedel dificilmente ultrapassariam a faixa dos 40% dos votos válidos.
A pesquisa Ranking divulgada neste sábado mostra Riedel com 49% das intenções totais. Retirando-se brancos, nulos e indecisos, o governador alcança aproximadamente 57% dos votos válidos. A tendência, portanto, é de que termine a eleição perto dos 60%, possivelmente liquidando a disputa no primeiro turno. O levantamento ouviu dois mil eleitores, entre 14 e 18 de setembro, em 30 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Veja os números para o Governo.

Senado: a direita unificada
Na eleição para o Senado, o fator determinante é o perfil conservador do eleitorado sul-mato-grossense. Reinaldo Azambuja conseguiu realizar algo raro na política estadual: reunir as principais forças da direita em torno de duas candidaturas do PL.
A chapa formada por Reinaldo e Capitão Contar entra na reta final com vantagem clara. No primeiro voto estimulado, Azambuja aparece com 32,5%, Contar tem 22% e Vander Loubet, 19,8%. No segundo voto, Reinaldo marca 31%, Contar sobe para 29% e Vander aparece com 15%.
Como cada eleitor poderá escolher dois candidatos, o cenário favorece a dobradinha do PL. Hoje, a projeção mais segura é a eleição de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos com relativa tranquilidade.
Confira a pesquisa mais recente para o Senado.

Câmara Federal: quatro chapas concentram a disputa
Para deputado federal, o quadro exige mais cautela. Mato Grosso do Sul possui oito cadeiras, distribuídas pelo sistema proporcional. Não basta que um candidato tenha muitos votos: é preciso que sua legenda ou federação alcance votação suficiente.
Na pesquisa espontânea mais recente, Rose Modesto lidera com 3,6%. Depois aparecem Mara Caseiro, com 3,3%; Rodolfo Nogueira, com 2,9%; Marcos Pollon, com 2,8%; Geraldo Resende, com 2,4%; Camila Jara, com 2%; Jaime Verruck, com 1,6%; Beto Pereira, com 1,5%; Isa Marcondes, com 1,4%; Marquinhos Trad, com 1,2%; e Dagoberto Nogueira, com 0,8%.
O PL apresenta força para conquistar duas cadeiras e disputar uma terceira. Mara Caseiro, Pollon e Rodolfo formam um trio competitivo. Caso o partido confirme duas vagas, a disputa interna será dura. A terceira dependerá do volume total da chapa e do desempenho dos demais candidatos.
Na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, a projeção é de duas cadeiras, com possibilidade real de uma terceira. Rose Modesto é o grande puxador de votos e aparece como a única candidata, neste momento, com potencial evidente para ultrapassar os 100 mil votos. Geraldo Resende vem logo atrás, enquanto Dagoberto disputa diretamente a eventual terceira vaga.
O Republicanos deve conquistar uma cadeira e briga pela segunda. Beto Pereira, Jaime Verruck e Isa Marcondes formam uma chapa equilibrada. Isa merece atenção especial: subiu de 0,8% em agosto para 1,2% no fim daquele mês e agora chegou a 1,4%. Sua força em Dourados e na região pode alterar a matemática da chapa. Se Jaime também entregar votação expressiva, o Republicanos poderá fazer dois. Caso contrário, a cadeira adicional tende a migrar para o PL.
Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, a tendência é de uma vaga. A disputa principal está entre Camila Jara e Marquinhos Trad. A chegada de Marquinhos tornou a chapa eleitoralmente mais competitiva, mas também dividiu o eleitorado tradicional do PT. A família Trad sempre esteve mais identificada com o centro e o centrão do que com a esquerda histórica, e essa acomodação ainda precisará ser compreendida pelo eleitor petista.
Assim, a projeção inicial para as oito cadeiras seria:
- União Brasil–PP: duas vagas, disputando a terceira;
- PL: duas vagas, disputando a terceira;
- Republicanos: uma vaga, com possibilidade de chegar a duas;
- Federação PT–PV–PCdoB: uma vaga.
A pesquisa, entretanto, ainda registra 34% de indecisos e 25,6% de brancos e nulos. Há, portanto, espaço para mudanças importantes.
Veja os números completos para deputado federal.

Na eleição proporcional, estrutura não garante vitória. Mas a falta dela costuma antecipar a derrota.
As urnas ainda não falaram. Contudo, a fotografia atual aponta para Riedel perto dos 60% dos votos válidos, Reinaldo e Contar favoritos ao Senado e uma disputa pelas cadeiras federais concentrada em quatro grandes chapas. O restante será decidido pela força das ruas — e pela matemática implacável do quociente eleitoral.
Joel Silva – Radialista e Jornalista de formação com pós em mkt político




