Riedel aposta em novo ciclo para ampliar educação, saúde e oportunidades em Mato Grosso do Sul

POLÍTICA
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Em sabatina do TopMídiaNews, governador aponta desafios e defende aprofundar investimentos em educação, saúde, infraestrutura, segurança e desenvolvimento regional

Para uma família, política pública aparece menos nos números do orçamento e mais quando o filho passa o dia na escola, termina o ensino médio com uma profissão, o asfalto chega ao bairro ou existe um leito disponível no hospital.

Foi em torno dessa ideia — transformar crescimento econômico em oportunidades concretas — que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, conduziu boa parte de sua participação na sabatina do Top Mídia News, comandada pelo jornalista Vinicius Squinelo.

Riedel apresentou a atual gestão como parte de um projeto ainda em desenvolvimento. O argumento é que Mato Grosso do Sul entrou em um ciclo de crescimento que precisa ser acompanhado por educação, qualificação profissional, infraestrutura e políticas sociais capazes de alcançar quem ainda permanece à margem.

“Pra que não fique ninguém pra trás”, resumiu. Para o candidato, programas sociais devem funcionar também como ponte para que famílias vulneráveis conquistem renda e autonomia.

Educação para transformar crescimento em oportunidade

Na educação, Riedel afirmou que mais de R$ 1 bilhão foi destinado à estrutura física das escolas estaduais e que mais de 270 das 354 unidades passaram por reestruturação.

Segundo o governador, a melhoria dos prédios faz parte de uma estratégia que combina infraestrutura, valorização dos profissionais, ensino em tempo integral e formação profissional.

Um dos principais destaques foi justamente a expansão da educação profissional.

Riedel disse que, quando assumiu o governo, cerca de 18% dos estudantes do ensino médio participavam de cursos profissionalizantes. Hoje, segundo ele, o percentual está próximo de 60%.

A proposta é aproximar a escola das oportunidades existentes em cada região, com cursos relacionados a setores como comércio, administração, gastronomia, estética, empreendedorismo, agropecuária e floresta plantada.

A ideia é que o estudante deixe a escola não apenas com o diploma, mas com qualificação capaz de ampliar suas chances no mercado de trabalho.

Para um eventual segundo mandato, Riedel defendeu concluir reformas, ampliar o ensino integral e aumentar ainda mais a presença da educação profissional.

Outra frente é a expansão do ensino fundamental em tempo integral na rede estadual, em parceria com os municípios. Segundo o governador, ao assumir mais vagas nessa etapa, o Estado ajuda as prefeituras a direcionar recursos para a educação infantil e as creches.

Hospital Regional deve ampliar capacidade de atendimento

Na saúde, uma pergunta de um morador de Campo Grande trouxe a discussão para o cotidiano. Ele reclamou da falta de medicamentos na atenção básica, embora tenha elogiado os profissionais das unidades.

Riedel reconheceu o problema e diferenciou as responsabilidades municipais na atenção primária do papel do Estado na média e alta complexidade.

Nesse contexto, apontou a transformação do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul como uma das principais mudanças em andamento.

Segundo o governador, a unidade passará por remodelação capaz de ampliar em cerca de 60% o número de leitos e praticamente dobrar sua capacidade de atendimento.

Riedel defendeu ainda avanços na regulação dos pacientes e maior integração entre Estado e municípios.

A estratégia, segundo ele, precisa combinar uma atenção básica eficiente, organização das filas e maior capacidade hospitalar para casos de maior complexidade.

Campo Grande terá continuidade de obras

A situação de Campo Grande também ocupou parte importante da sabatina.

Questionado sobre críticas de que o Estado teria reduzido recursos destinados à Capital, Riedel negou que seu governo tenha deixado de atender o município. Argumentou que a divisão das receitas segue critérios institucionais definidos por população, território e participação econômica.

O governador destacou investimentos diretos em infraestrutura urbana e citou obras de pavimentação em bairros como Nova Lima, Moreninhas e Nashville.

Segundo ele, a política faz parte de uma estratégia que alcança os 79 municípios, com investimentos em pavimentação, rodovias, saneamento e infraestrutura.

Riedel reconheceu, porém, que Campo Grande ainda enfrenta problemas estruturais que precisarão continuar sendo enfrentados nos próximos anos.

Segurança na fronteira exige tecnologia e integração

A segurança pública apareceu como um dos principais desafios.

Mato Grosso do Sul possui extensa fronteira com Paraguai e Bolívia e convive com rotas usadas pelo tráfico internacional de drogas. Riedel relacionou parte da violência registrada no Estado à disputa entre facções pelo domínio desses corredores.

O candidato afirmou que pretende manter investimentos em tecnologia, infraestrutura, qualificação e efetivo das polícias Militar e Civil, além de ampliar a integração com instituições federais.

Também cobrou maior participação da União no policiamento de fronteira, lembrando as atribuições da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Forças Armadas.

“Não vamos abrir mão desse status de um Estado seguro”, afirmou.

Eventos climáticos exigem obras estruturais

Os temporais recentes também entraram na entrevista.

Riedel afirmou que os sistemas estaduais de alerta estão funcionando, mas defendeu combinar prevenção e capacidade rápida de reconstrução.

Segundo ele, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Agesul foram mobilizados para auxiliar municípios atingidos. Em Campo Grande, criticou a demora no restabelecimento da energia depois dos temporais e disse ter cobrado respostas da Energisa.

Para o governador, entretanto, a resposta mais importante está no planejamento de longo prazo.

Obras de drenagem, organização do fluxo das águas e investimentos urbanos capazes de tornar as cidades mais resistentes aos eventos extremos devem ganhar espaço crescente.

“Não é um trabalho de curto prazo”, reconheceu.

Compliance e combate à corrupção

Outro tema abordado diretamente foi o combate à corrupção.

Questionado sobre irregularidades investigadas no sistema de regulação da saúde, Riedel afirmou que servidores ou ocupantes de cargos públicos envolvidos em suspeitas devem ser afastados para permitir o avanço das investigações.

“Nós temos tolerância zero com a corrupção ou com o malfeito”, declarou.

O governador destacou a atuação da Controladoria-Geral do Estado e a integração com Ministério Público, Gaeco, Polícia Civil e outros órgãos.

Segundo os números apresentados na entrevista, 189 empresas foram sancionadas nos últimos três anos por irregularidades administrativas e aproximadamente R$ 25 milhões foram recuperados.

Riedel ressaltou que essas sanções não significam necessariamente casos de corrupção, mas também descumprimentos administrativos identificados pelos mecanismos de controle.

Para um eventual novo mandato, a proposta é fortalecer essa rede, inclusive na prevenção de irregularidades.

Norte do Estado busca novas vocações

A sabatina também abordou o desenvolvimento da região norte.

Questionado sobre a situação de Coxim, Riedel reconheceu que municípios como Sonora, Pedro Gomes, Coxim e Rio Verde não receberam até agora empreendimentos de grande porte capazes de acelerar a transformação econômica na mesma intensidade observada em outras regiões.

O governador argumentou, porém, que existe um movimento em curso.

Citou a recuperação de dois frigoríficos em Coxim, os efeitos regionais do crescimento de São Gabriel do Oeste e a expansão das florestas plantadas.

Para os próximos anos, colocou infraestrutura e turismo entre os caminhos para diversificar a economia.

“Não adianta a gente achar que vem alguém de fora resolver o problema da comunidade. O problema da comunidade vai ser desabrochado ali de dentro e o nosso papel é dar suporte e apoiar”, afirmou.

Relação institucional acima das diferenças partidárias

A disputa presidencial também apareceu na entrevista.

Riedel reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro, mas disse que suas diferenças políticas em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não impediram a construção de uma relação administrativa entre Mato Grosso do Sul e o Governo Federal.

Segundo ele, houve respeito institucional e nenhuma retaliação por suas posições políticas.

Embora tenha feito críticas à política econômica federal, Riedel separou a divergência partidária das parcerias institucionais mantidas entre Estado e União.

Crescimento precisa chegar às famílias

Ao final da sabatina, Riedel voltou ao argumento que atravessou toda a entrevista.

Rodovias, pavimentação, saneamento, escolas, hospitais e atração de investimentos não seriam objetivos isolados.

“Tudo isso é meio”, afirmou.

O objetivo, segundo o governador, é melhorar as condições de vida.

Riedel citou a redução da taxa de pobreza de 21,3% para 17,7%, a melhora da renda e o desempenho do mercado de trabalho como resultados desse processo.

Também colocou a mobilidade social no centro de sua defesa da continuidade do projeto, destacando a possibilidade de crianças de famílias de baixa renda encontrarem, ao longo da vida, escola, qualificação e emprego capazes de ampliar suas perspectivas.

É nessa combinação que o candidato constrói o argumento da reeleição.

Nos primeiros quatro anos, afirma ter concentrado esforços em infraestrutura, atração de investimentos, modernização dos serviços e educação. Para um segundo mandato, a proposta apresentada é ampliar o alcance dessas políticas e fazer com que o crescimento econômico seja percebido cada vez mais na vida cotidiana.

“Tudo isso é que deu essa condição para o nosso Estado”, afirmou Riedel. “Olhando para a frente, eu quero potencializar isso para gerar qualidade de vida para a nossa gente.”


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